Em todo ciclo eleitoral, é comum que os planos de governo apresentados em campanha sejam idealizados com foco no desejo popular, o que é legítimo, mas pouco compatível com a realidade fiscal e administrativa da cidade. O resultado? Promessas frustradas, desperdício de recursos e perda de credibilidade da gestão.
Para evitar esse cenário, prefeitos eleitos e suas equipes de transição devem transformar promessas em compromissos viáveis. E isso só é possível com um plano de governo realista, orientado por dados, diálogo e foco em resultados concretos.
Este guia elaborado pela Mendes & Mendes Consultores apresenta caminhos práticos para estruturar um plano eficaz, sustentável e coerente com os desafios locais.
Parta da realidade: Diagnóstico fiscal e administrativo
Antes de qualquer planejamento, é imprescindível conhecer a fundo o que será herdado da gestão anterior. Um bom diagnóstico parte da análise de três eixos principais:
- Financeiro: dívida consolidada, restos a pagar, arrecadação projetada, convênios vigentes e limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
- Pessoal: folha de pagamento, estrutura de cargos e gratificações, vínculos precários, quadro efetivo e obrigações trabalhistas.
- Infraestrutura e serviços públicos: levantamento das demandas reprimidas em saúde, educação, mobilidade, saneamento e outras áreas essenciais.
Essa etapa pode ser feita com o apoio de uma equipe técnica de transição e deve culminar em um Relatório Situacional da Prefeitura.
Planeje por eixos estratégicos
Evite listar promessas soltas. Organize o plano de governo em eixos estratégicos de desenvolvimento, como:
- Desenvolvimento econômico local
- Saúde pública e assistência social
- Educação e juventude
- Sustentabilidade urbana e meio ambiente
- Inovação e transformação digital
- Gestão pública e transparência
Cada eixo deve conter metas claras, mensuráveis e compatíveis com a capacidade financeira da gestão.
Use metodologias de planejamento
A adoção de metodologias já testadas no setor público pode trazer mais segurança e clareza ao plano. Recomendamos:
- SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças): útil para mapear os cenários internos e externos da cidade.
- PDCA (Planejar, Executar, Verificar, Agir): ajuda a monitorar e ajustar a execução.
- OKRs (Objectives and Key Results): metodologia ágil, que permite definir metas por secretaria com entregas trimestrais.
- Indicadores SMART: metas específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e temporais.
Priorize as entregas dos primeiros 100 Dias
É fundamental apresentar à população, ainda no primeiro trimestre de governo, ações concretas que sinalizem o início da transformação prometida.
Elabore um Plano de 100 Dias, focado em:
- Organizar a casa administrativa
- Reestruturar serviços essenciais
- Revogar decretos danosos ou ineficientes
- Implementar um canal de escuta popular
- Abrir editais ou parcerias estratégicas
Dialogue com a comunidade e com o legislativo
Um plano de governo realista não pode ser feito a portas fechadas. Realize consultas públicas, audiências com o Legislativo e diálogo com lideranças comunitárias e setoriais.
Esse processo, além de enriquecer o conteúdo do plano, fortalece sua legitimidade social e política.
Projete a sustentabilidade orçamentária
Não adianta planejar grandes obras se não há previsão orçamentária ou capacidade de endividamento. Utilize ferramentas como:
- PPA, LDO e LOA: os instrumentos legais de planejamento orçamentário precisam refletir as metas do plano de governo.
- Parcerias Público-Privadas (PPPs) e Consórcios Públicos: alternativas para viabilizar investimentos de maior porte.
- Captação de recursos estaduais, federais e internacionais: inclua projetos maduros em sistemas como Transferegov e SICONV.
Institucionalize o acompanhamento
Crie um Comitê de Monitoramento das Metas, com representantes da gestão e da sociedade civil. Isso promove:
- Prestação de contas contínua
- Correções de rota baseadas em dados
- Comunicação transparente com a população
Ferramentas como painéis de controle (dashboards) e relatórios semestrais podem facilitar essa prática.
Um bom plano de governo é aquele que respeita os limites fiscais, enfrenta os problemas reais da cidade e entrega resultados concretos para quem mais precisa.
Na Mendes & Mendes Consultores, acreditamos que planejar com realismo é o primeiro passo para governar com responsabilidade. Prefeitos que iniciam suas gestões com um plano estruturado colhem frutos de credibilidade, eficiência e legado duradouro.
Fale com a gente e descubra como podemos apoiar sua equipe de transição, estruturando planos de governo, planos plurianuais e programas de metas com base técnica, visão estratégica e compromisso com o cidadão.
